Como já tinha referido
aqui,
apesar de termos iniciado o caminho em Tui, conhecemos em Porriño o
André Bento, que havia iniciado o caminho em Ponte de Lima. Caminhamos
juntos e juntos chegamos a Santiago de Compostela. E como mantivemos o
contacto, o André teve a gentileza de partilhar o seu relato da etapa
Ponte de Lima - Valença para que eu o pudesse partilhar, aqui no blogue.
Aqui fica o relato:
"Ao sair do albergue de Ponte de Lima encontra-se logo as setas amarelas
do lado direito, que seguem por uma estradita até dar com caminhos rurais por entre campos e videiras.
Como o dia anterior
tinha sido de chuva e o caminho era limitado por muros de pedra, o
caminho deixou de ser caminho e passou a ser uma ribeira, molhando os pés
todos com uma junção de água e lama, até começar uma estrada que guiava
por dentro de uma cidadezinha, com uma pequena capelinha no centro.
Ao
fim dessa cidade começa a maior parte do caminho de terra por entre
pinheiros e eucaliptos até chegar ao albergue de S. Pedro de Rubiães que
fica já a 20km de Ponte de Lima.
Durante esse caminho há que ter
cuidado pois há um corte à direita muito íngreme que pode não ser visto e
andar mais de 1km até perceber que se está na direcção errada, que foi o
que me aconteceu.
Em direção a Rubiães encontra-se a Cruz dos Franceses e a placa nela colocada relembrando Michelle Kleist, peregrina australiana, com vários artefactos que os peregrinos que lá passam vão deixando,
algumas cruzes, postes com indicações do caminho de Santiago, etc.
Em
suma, é o caminho mais complicado de se fazer, na minha opinião, pois é
muito íngreme e pode-se tornar complicado de se fazer
se não for o primeiro dia de caminhada enquanto a pessoa se encontra
“fresca”.
O caminho encontra-se repleto de setas amarelas e de cerca
de 10 em 10 metros encontra-se uma seta amarela sendo assim difícil de
se perder.
Para quem tiver como etapa final do dia Valença ainda tem
mais 20km para percorrer, sendo os últimos 10km os mais complicados,
não pelo caminho em si, mas devido a ser quase sempre em estrada e ao
cansaço do caminho percorrido."
André Bento
Escoteiro de AEP 122 Mira-Sintra
 |
Cruz dos Franceses
e a placa colocada em memória
de Michelle Kleist, peregrina australiana. |
Saiba mais sobre os
albergues de Ponte de Lima e Valença.
Para ver mais sobre as restantes etapas, carregue
aqui.
***Actualização:
Aproveito ainda para apelar a todos os peregrinos que cuidem e estimem o Caminho que é tão valioso para todos nós. De há uns tempos para cá, têm-se acumulado dezenas de objectos deixados pelos peregrinos, num gesto simbólico de homenagem, junto à cruz na Serra da Labruja. No entanto, falamos de objectos não degradáveis, tais como garrafas de água, roupa, chapéus, calçado, entre muitas outras coisas. Com isto, a Cruz dos franceses e a placa em memória da peregrina Michelle Kleist deixaram de ser o mais relevante, assemelhando-se o conjunto a uma lixeira a céu aberto. Não é sanitário, não é belo, não é o que o Caminho merece de nós, peregrinos.
Dia 09 de Outubro de 2013 será feita uma limpeza por alguns peregrinos, que irão disponibilizar o seu tempo e trabalho ao serviço do caminho, para melhorar esta paisagem, actualmente desvirtuada pela passagem humana. A partir daí, esperemos que o bom senso evite que esta situação se repita.
Contribua para que este local se mantenha limpo, salubre e de acordo com a paisagem que o rodeia! Obrigada!
Agradecimento a Nuno Ribeiro, pela cedência das fotos