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08 outubro 2013

Serra da Labruja | Lixo junto à Cruz dos Franceses


Aproveito este post para apelar a todos os peregrinos que cuidem e estimem o Caminho que é tão valioso para todos nós. De há uns tempos para cá, têm-se acumulado dezenas de objectos deixados pelos peregrinos, num gesto simbólico de homenagem, junto à cruz na Serra da Labruja. No entanto, falamos de objectos não degradáveis, tais como garrafas de água, roupa, chapéus, calçado, entre muitas outras coisas. Com isto, a Cruz dos franceses e a placa em memória da peregrina Michelle Kleist deixaram de ser o mais relevante, assemelhando-se o conjunto a uma lixeira a céu aberto. Não é sanitário, não é belo, não é o que o Caminho merece de nós, peregrinos. 
Dia 09 de Outubro de 2013 será feita uma limpeza por alguns peregrinos, que irão disponibilizar o seu tempo e trabalho ao serviço do caminho, para melhorar esta paisagem, actualmente desvirtuada pela passagem humana. A partir daí, esperemos que o bom senso evite que esta situação se repita.

Contribua para que este local se mantenha limpo, salubre e de acordo com a paisagem que o rodeia! Obrigada!



Agradecimento a Nuno Ribeiro, pela cedência das fotos.

18 junho 2013

Mais Dicas sobre a Mochila | Caminho português a Santiago de Compostela

Apesar de já ter feito um post inicial com uma listagem dos itens a levar e algumas considerações pessoais, que podem ver aqui, decidi esclarecer mais algumas questões que vejo serem levantadas frequentemente pelos peregrinos.

Quando precisei de comprar algum equipamento necessário para o Caminho, tive a sorte de apanhar algumas promoções. Apesar disso, procurei que tal não me impedisse de garantir algumas condições essenciais para o meu conforto e bem-estar que não podem ser descuradas.
De resto, para todos aqueles que têm dúvidas sobre onde comprar o equipamento, e muito embora não ganhe nada com a publicidade, a Decathlon parece-me um espaço com muita escolha e funcionários geralmente solícitos e informados.

Tamanho da Mochila:

Na altura comprei uma mochila da Quechua, a Forclaz 40, que como o nome indica tem 40 litros. O seu peso, quando vazia, é de 1,2 kg. Tem um apoio lombar razoável, que é essencial - apesar de alguns companheiros de viagem se queixarem dos ombros, eu sempre senti que o peso da mochila se fazia sentir essencialmente em dois locais, a zona inferior das costas e os joelhos. Para não sentir qualquer desconforto nos ombros e costas, para além da hidratação, deve ter contribuído o facto da mochila ter apoio para mãos o que me permitia aliviar o peso quando necessário.
Como esta é uma mochila de 40litros, o cinto deve assentar na zona da cintura (quando de 50l é desenhado para assentar nos quadris). Não se iniba de experimentar a mochila com todos os ajustes feitos nas presilhas e correias e verificar se se sente confortável.
Esta mochila possuiu ainda as costas em rede que ajuda a arejar e controla a transpiração.

Eu fui na época de transição Inverno/Primavera, por isso levei alguns itens que no Verão são desnecessários, tais como uma pequena manta e roupa mais volumosa. Se vai no Verão pode levar uma mochila com menos volume - 30, 35 litros - mas se levar de 40l não faça questão de a encher só porque tem espaço.




Capa protecção chuva:
O que esta mochila não possui é protecção para a chuva. Por isso, apesar de a ter comprado em promoção, tive de considerar o dinheiro que gastei numa capa.
A capa que acabei por comprar é para mochila e pessoa, o que se revelou francamente mais eficaz que aquelas que são só para a mochila, tão ou mais caras que a minha, e que não agradaram aos companheiros de viagem que as possuíam.
Não se esqueça que em época de Verão também chove na Galiza. Um impermeável/corta-vento continua a ser essencial. Além de que mesmo esta capa total, quando dobrada, não ocupa muito espaço. Ainda assim pesa 410g.




Bolsa para produtos de higiene:
Apesar de ter referido aqui que um bom truque é dividir os produtos de higiene pelos vários elementos do grupo, eu acabei por levar uma bolsa só minha porque fiquei em Santiago mais tempo e precisava deles.
O que fiz foi levar a bolsa que uso quando viajo de avião, que comprei num hipermercado, e que possui pequenos frascos com o tamanho ideal para este percurso (claro que racionado,  mas ainda assim sobrou um pouco de gel e champô). Os frascos têm cerca de 60ml e a bolsa, aproximadamente, 12x18x4 cm.
Esta parece-me uma boa solução para quem viaja sozinho.




Almofada insuflável:
Este é um item que só é necessário quando se verificam algumas condicionantes: a pessoa vai percorrer o Caminho em "época alta" e portanto corre o risco de não conseguir ficar nos albergues oficiais, não querer/puder ficar em albergues privados e acabar por pernoitar num poli-desportivo ou no quartel dos bombeiros onde não lhe vai ser fornecida almofada e a pessoa não conseguir dormir sem uma.
Antes de iniciar o meu Caminho acabei por comprar esta, mas como fui em Março, antes da Páscoa, e tive sempre lugar em albergues oficiais não precisei de a utilizar.
Mais uma vez, é uma decisão pessoal e neste caso trata-se de  algo muito leve.
Apesar disso, todos os gramas juntos vão acabar por perfazer muitos quilos.  





03 junho 2013

Variante Espiritual do Caminho Português

Recebi um folheto sobre esta variante do Caminho Português, aquando da minha estada em Pontevedra.
Vou tentar reproduzir a informação nele contida.
Eis o mapa do caminho.

Mapa retirado de folheto informativo
Fundación Camino Portugués de Santiago / Mancomunidade do Salnés

Esta Variante Espiritual coincide com o Caminho Português até Pontevedra, vindo a encontrá-lo novamente em Pontecesures.  As etapas que se seguem a Pontevedra são:

1ª Etapa | Pontevedra - Armenteira
19,65 km
Dificuldade: média - alta
Recomendações: Nos últimos 7 km não existem estabelecimentos onde comprar água.

2ª Etapa | Armenteira - Vilanova de Arousa
23,60 km
Dificuldade: média

3ª Etapa | Vilanova de Arousa - Santiago de Compostela
15 milhas náuticas + 26,00 km
Dificuldade: média - alta

Para mais informações, sobre as diferentes embarcações que fazem Ría de Arousa/Rio Ulla:
Ruta Rias Baixas  - T. +34 649 954 289 - 986 524 631
Mar de Aguiño - www.mardeaguiño.es | T. +34 619 978 390
Illas Atlanticas - www.illasatlanticas.com | T. +34 692 168 303 - 692 169 850 - 625 050 291

A esta data o preço da travessia é de 45€ e as embarcações exigem um número mínimo de passageiros. Nos sites das empresas acima mencionadas referem as vantagens de fazer reserva, incluindo pagamento, já que assim poderá ter acesso a um desconto.


Segundo uma reportagem feita pelo Canal Rías Baixas, de 20 Julho de 2012, é possível obter a Compostela através desta vertente do Caminho.
"Para acreditar o paso dos visitantes, tanto os dous mosteiros, como as oficinas de turismo dos catro concellos do Salnés dispoñen de cadanseu selo. Con eles, e cos quilómetros necesarios feitos poden conseguir a Compostela, unha vez chegados á Capital de Galicia."


Também não precisa de se preocupar com a sinalização do Caminho, já que desde Pontevedra encontrará esta sinalética referente à Variante espiritual.



Partilho, também, um vídeo que encontrei com mais informação disponível:


28 maio 2013

Etapa Ponte de Lima - Valença

Como já tinha referido aqui, apesar de termos iniciado o caminho em Tui, conhecemos em Porriño o André Bento, que havia iniciado o caminho em Ponte de Lima. Caminhamos juntos e juntos chegamos a Santiago de Compostela. E como mantivemos o contacto, o André teve a gentileza de partilhar o seu relato da etapa Ponte de Lima - Valença para que eu o pudesse partilhar, aqui no blogue.

Aqui fica o relato:

"Ao sair do albergue de Ponte de Lima encontra-se logo as setas amarelas do lado direito, que seguem por uma estradita até dar com caminhos rurais por entre campos e videiras.
Como o dia anterior tinha sido de chuva e o caminho era limitado por muros de pedra, o caminho deixou de ser caminho e passou a ser uma ribeira, molhando os pés todos com uma junção de água e lama, até começar uma estrada que guiava por dentro de uma cidadezinha, com uma pequena capelinha no centro.
Ao fim dessa cidade começa a maior parte do caminho de terra por entre pinheiros e eucaliptos até chegar ao albergue de S. Pedro de Rubiães que fica já a 20km de Ponte de Lima.
Durante esse caminho há que ter cuidado pois há um corte à direita muito íngreme que pode não ser visto e andar mais de 1km até perceber que se está na direcção errada, que foi o que me aconteceu.
Em direção a Rubiães encontra-se a Cruz dos Franceses e a placa nela colocada relembrando Michelle Kleist, peregrina australiana, com vários artefactos que os peregrinos que lá passam vão deixando, algumas cruzes, postes com indicações do caminho de Santiago, etc.
Em suma, é o caminho mais complicado de se fazer, na minha opinião, pois é muito íngreme e pode-se tornar complicado de se fazer se não for o primeiro dia de caminhada enquanto a pessoa se encontra “fresca”.
O caminho encontra-se repleto de setas amarelas e de cerca de 10 em 10 metros encontra-se uma seta amarela sendo assim difícil de se perder.
Para quem tiver como etapa final do dia Valença ainda tem mais 20km para percorrer, sendo os últimos 10km os mais complicados, não pelo caminho em si, mas devido a ser quase sempre em estrada e ao cansaço do caminho percorrido."

André Bento
Escoteiro de AEP 122 Mira-Sintra


Cruz dos Franceses
e a placa colocada em memória
 de Michelle Kleist, peregrina australiana.

Saiba mais sobre os albergues de Ponte de Lima e Valença.
Para ver mais sobre as restantes etapas, carregue aqui.


***Actualização:
Aproveito ainda para apelar a todos os peregrinos que cuidem e estimem o Caminho que é tão valioso para todos nós. De há uns tempos para cá, têm-se acumulado dezenas de objectos deixados pelos peregrinos, num gesto simbólico de homenagem, junto à cruz na Serra da Labruja. No entanto, falamos de objectos não degradáveis, tais como garrafas de água, roupa, chapéus, calçado, entre muitas outras coisas. Com isto, a Cruz dos franceses e a placa em memória da peregrina Michelle Kleist deixaram de ser o mais relevante, assemelhando-se o conjunto a uma lixeira a céu aberto. Não é sanitário, não é belo, não é o que o Caminho merece de nós, peregrinos. 
Dia 09 de Outubro de 2013 será feita uma limpeza por alguns peregrinos, que irão disponibilizar o seu tempo e trabalho ao serviço do caminho, para melhorar esta paisagem, actualmente desvirtuada pela passagem humana. A partir daí, esperemos que o bom senso evite que esta situação se repita.

Contribua para que este local se mantenha limpo, salubre e de acordo com a paisagem que o rodeia! Obrigada!




Agradecimento a Nuno Ribeiro, pela cedência das fotos

09 maio 2013

Mapas por Etapas | GPS

Muito embora a monitorização das etapas não faça justiça aos elementos do grupo com uma excelente preparação física, decidi colocá-las aqui. Sim, fomos nós, as meninas, que vos atrasamos! ;)
Acho os mapas interessantes por definirem com mais rigor o ritmo do grupo, por se perceber que na etapa Caldas de Reis - Pádron andamos mesmo muito distraídos e por apresentar o tempo que efectivamente caminhamos, sem contabilizar as pausas (as maiores pelo menos).

Apesar disso, não me baseei nestes mapas para definir as distâncias no post Percurso Tui - Santiago de Compostela
Os valores diferem ligeiramente dos normalmente apresentados e prefiro salvaguardar a hipótese de termos demorado a contabilizar o percurso após alguma pausa, o que justificaria a diferença.
Ainda assim os valores estão muito próximos da realidade o que nos permite retirar algumas conclusões.


1ª Etapa | Tui - Porriño | 18 km
(distância real aproximada)


Distância no mapa: 15,44 Km
Duração: 04:09:25
Ritmo: 16:09 min/km















2ª Etapa | Porriño - Redondela | 18 km
(distância real aproximada)

Distância no mapa: 15,00 Km
Duração: 04:06:02
Ritmo: 16:24 min/km
















3ª Etapa | Redondela - Pontevedra | 18 km
(distância real aproximada)

Distância no mapa: 16,85 Km
Duração: 04:38:39
Ritmo: 16:32 min/km
















4ª Etapa | Pontevedra - Caldas de Reis | 23 km 
 (distância real aproximada)

Distância no mapa: 23,06 Km
Duração: 06:11:59
Ritmo: 16:07 min/km
















5ª Etapa | Caldas de Reis - Pádron | 16 km
(distância real aproximada)

Distância no mapa: 16,86 Km
Duração: 06:14:42
Ritmo: 22:13 min/km
















6ª Etapa | Pádron - Santiago de Compostela | 24 km
(distância real aproximada)

Distância no mapa: 24,51 Km
Duração: 06:55:15
Ritmo: 16:56 min/km














08 maio 2013

Em Santiago de Compostela

A cidade de Santiago de Compostela não é nada menos que mística, envolvente e apaixonante.
A chuva que cai, por vezes incessantemente, só lhe confere ainda mais encanto e não afasta, nem peregrinos, nem turistas que se encantam com as suas ruas medievais e a sua imponente Catedral. Para mim foi o coroar perfeito de uma jornada incrível.


A Catedral de Santiago, de planta românica, em cruz latina, foi construída entre os anos de 1075 e 1128, com o propósito de albergar os restos do apóstolo Santiago Maior. Este havia sido tornado mártir no ano 44 d.C., em Jerusalém, após um período de evangelização na península ibérica.
Segundo a lenda, o seu corpo teria sido transportado de volta para a Galiza e sepultado no lugar de Compostela. Em 814 um eremita descobriu um túmulo que imediatamente foi associado a Santiago e sobre o qual seria erguida a Catedral. 


Mas Santiago também se soube modernizar e possui obras contemporâneas de grande relevância arquitectónica, nomeadamente o Centro Galego de Arte Contemporânea, do arquitecto Siza Vieira, e a Cidade da Cultura da Galiza, do arquitecto Peter Eisenman.

Centro Galego de Arte Contemporânea

Centro Galego de Arte Contemporânea

Quando chegamos no dia anterior, depois das fotos e da visita à Catedral, dirigimo-nos à Oficina do Peregrino para levantarmos a nossa Compostela. Devo confessar que não teve muito significado para mim; a pessoa que me atendeu preencheu aquilo em 2 segundos e mal. A Credencial sim, é uma lembrança constante de cada lugar que conheci. A Compostela muito provavelmente vai ficar guardada, atirada de gaveta em gaveta, até ao dia em que se vai perder na confusão de um sotão.
Como não tínhamos muita informação, quer sobre albergues, quer sobre os comboios/autocarros, dirigimo-nos desta vez até à Oficina Central de Información Turística Municipal onde nos prestaram toda a informação solicitada.
Em Santiago de Compostela acabamos por não ficar em nenhum albergue oficial porque já não tínhamos pernas para andar muito e porque queríamos ficar perto do Centro. Recomendaram-nos os hostels O Fogar de Teodomiro e Roots&Boots, que passei a conhecer e recomendo. São da mesma tipologia dos albergues, com acomodação em camarata mas oferecem melhores condições nos mesmo serviços: possuíam Internet,  lençóis de algodão e toalha de banho, serviço de lavandaria, cozinha, entre outras coisas, para além de uma excelente localização junto à Catedral. O preço era de 12€ por pessoa a esta data.
O único inconveniente: não são frequentados apenas por peregrinos, ou seja, arrisca ficar no quarto com alguém que não partilha do seu nível de cansaço,o seu credo ou não respeita os seus ideias. Fica a ressalva.

Oficina do Peregrino  - Junto à Praza das Praterías, por trás da Catedral, logo no início da Rua do Vilar.

Oficina Central de Información Turística Municipal - Continue pela Rua do Vilar, em direcção à Praza do Toural, praticamente no final da rua.

O Fogar de Teodomiro - (+34 699 631 592) www.fogarteodomiro.com
Roots&Boots - (+34 699 631 594) www.rootsandboots.com
   
Começamos o dia num dos muitos agradáveis cafés que existem na cidade, para um merecido pequeno-almoço. De seguida fomos visitar o Centro Galego de Arte Contemporânea que para nossa exasperação estava fechado à segunda-feira. Seguimos então, mais cedo que o previsto, para a missa do Peregrino, para cumprir todos os rituais, sendo o mais conhecido de todos o abraço a Santiago. Confesso que fui lá duas vezes porque o primeiro tinha sido tímido. Achei que depois de quase 120 km tinha direito a um abraço apropriado.
A chuva caía ininterruptamente pelo que, depois do almoço, não deu para visitar mais nenhum local. Acabamos por nos limitar a comprar as lembranças antes de sairmos em direcção à estação, para apanhar comboio até Vigo. Aí sim, em Vigo, apanhamos o comboio que nos traria a casa.




07 maio 2013

Os diferentes Caminhos até Santiago de Compostela

Depois de ter feito o Caminho Português a partir de Tui, só consigo pensar no próximo que vou fazer. Pode ser daqui a um ano ou daqui a muitos. Pode ser novamente o Caminho Português ou outro qualquer.
Mas tenho quase a certeza que é um sentimento generalizado: quando acaba deixa umas saudades imensas e muita vontade de repetir.

Para todos aqueles que gostariam de o fazer e chegar novamente a Compostela, deixo aqui um mapa com os diferentes Caminhos.

Mapa retirado do folheto "Caminho Português" pela Xunta de Galícia


Mapa retirado do folheto "Caminho Inglês" pela Xunta de Galícia

06 maio 2013

Etapa Pádron - Santiago de Compostela

| 24 Km |

Este dia não poderia ter começado de forma mais animada.
Descemos a rua com pendente que dá acesso ao albergue de Pádron e entramos no D'Camino, para alguns de nós tomarem um café. Depois de tirarmos a fotografia da praxe, lá seguimos caminho para o que seria a última etapa desta jornada fantástica. 
Mas logo após contornarmos a Igreja de S. Tiago, somos chamados por um senhor de nome Pepe, que nos pergunta, entusiasticamente diga-se de passagem, se somos portugueses. Mal deu tempo para confirmarmos, pois sem darmos por isso o Pepe já nos apresentava o seu café e todas as recordações que tinha do nosso país e de quem por lá passava. O Pepe gostava tanto de portugueses, que achei que nos ía arrancar um beijo a todos! 
Aqui fica a foto, do grupo no bar, mas onde infelizmente não aparece o Pepe! 


Após este animado começo de dia, lá continuamos o percurso que nos levaria a Santiago de Compostela. 
Imagino que o dia de hoje seja, para a maioria das pessoas, ofuscado pela chegada à Catedral. Porque se é verdade que o importante é o caminho, é quase impossível a emoção deste dia não nos toldar os sentidos e a ânsia de chegarmos tomar conta de nós.
Esta etapa  também não tem a beleza de outras, pois andamos, mais do que até aqui, pela nossa velha conhecida N550. E quando não estamos fisicamente na estrada, não deixamos de a ver.
Neste percurso também voltamos a ter uma passagem de nível sem guarda.
De referir o Santuário de A Escravitude, com a sua escadaria e torres de estranhas proporções.
A partir daí continuamos na estrada nacional mas começamos a subir. Entre terra batida e alcatrão, subidas e descidas vamos aproximar-nos de Santiago, ao ponto de o ver e não acreditar no que ainda nos falta. E a verdade é que aquela última subida até à cidade, nos vai fazer valorizar ainda mais a chegada à Catedral.


O dia começou animado e solarengo

Santuário de A Escravitude

Entre zonas planas, subidas e descidas se chega a Santiago

Santiago parece ainda muito longe

No momento em que começamos a ver a Catedral, ao fundo da rua, é incrível e sentimos mesmo a garganta a apertar. Era Domingo de Ramos e as ruas de Santiago fervilhavam. Chegamos ao final da tarde, por entre diálogos em português. Logo após a nossa chegada, e as fotografias já tiradas, começou a chover. Foi hora de entrarmos na Catedral e agradecer a viagem sem incidentes. Logo a seguir fomos buscar as nossas Compostelas à Oficina do Peregrino. E apesar de não ter sido a devoção que me fez partir para Santiago, a missa do Peregrino no dia seguinte foi um momento que muito estimei, ao lado de alguns dos companheiros de jornada, com quem fomos trocando sorrisos cúmplices.


O fim da Jornada!
O início de muitas outras que havemos de fazer.

Para ver o mapa da etapa e os dados GPS, clique aqui
     

**Actualização:
Porque o valor dos blogues reside na interacção entre quem escreve e quem lê, tive a sorte do Rui Abreu ler o que escrevi sobre esta etapa após o qual me enviou, generosamente, uma foto do Pepe para eu poder publicar, bem como um artigo sobre ele em La Voz de Santiago.
Afinal o nome de Pepe é, na verdade, José Manuel Sil, mas ficará para sempre Pepe até porque assim prefere ser chamado à semelhança do seu estabelecimento Don Pepe II. Aqui fica a foto!

O animadíssimo Pepe com o filhote do Rui Abreu.
Obrigada Rui!

Etapa Caldas de Reis - Pádron

| 18 Km |

Como já referi aqui no blogue, planeamos fazer Caldas de Reis - Padrón e daí para Santiago de Compostela. Muitos peregrinos optam por fazer uma etapa mais longa até Teo, de modo a chegaram mais cedo a Santiago na última etapa. Mas nós pretendíamos fazer o nosso primeiro Caminho com calma e, de qualquer das formas, iríamos ficar mais um dia em Santiago pelo que assistimos à missa do peregrino no dia seguinte.
A chuva que se fez sentir  no dia anterior deixou marcas no caminho. E será por entre lama e charcos que faremos parte do percurso. Mas esta é uma etapa com muita diversidade de paisagem: desde torres sineiras, escolas coloridas, aldeias, percursos florestais e, claro, sem nunca esquecer a N550.
A primeira referência que surge é a Igreja de Santa Maria de Carracedo, onde é possível ver, do cimo da sua torre, a zona envolvente.

Igreja de Santa Maria de Carracedo

Vista da Torre Sineira
Apesar de esta ser uma etapa curta, a verdade é que chegamos muito tarde a Pádron, porque nos fomos distraindo com praticamente tudo o que víamos. Depois de termos estado quase meia-hora a explorar esta igreja, voltamos a parar para tirar uma foto numa escola, tantas vezes fotografada, e que deseja aos peregrinos, nas mais diversas línguas, uma "boa viagem".
Logo a seguir cruzamo-nos com uns bicigrinos, que seguiam a sua peregrinação. Vou partilhar essa foto porque acho que é muito ilustrativa do sentido de entreajuda que domina esta jornada, espero que eles não se importem.
Como foi prática neste dia, almoçamos relaxadamente num café-bar, de nome  Pardal, onde se comeu uns excelentes bocadillos. 
Entretanto, começamos a entrar numa das mais bonitas zonas de toda a viagem, o Monte Albor. Mais uma vez, demoramos uma eternidade a atravessá-lo, tendo tido tempo até para perder um dos sacos-cama ravina abaixo. Mas não se atrapalhem, montamos logo ali uma operação para resgatar o dito cujo.
E em passo lento e olhar atento lá continuamos, para voltar a descansar um pouco mais à frente. Na realidade começamos a perceber que este ritmo e as múltiplas paragens estavam a cansar-nos mais do que se tivéssemos mantido um passo constante. E por esse motivo a ligação entre Pontecesures e Padrón foi penosa, porque por entre pés massacrados, cansaço acumulado e impaciência já só pensavamos todos no albergue. Caso um dia passe pelo mesmo fique a saber que em Pontecesures existe albergue.
Pádron é uma cidade bonita e vale a pena conhecê-la. Se chegar a horas de visitar a Igreja de Santiago de Pádron, não deixe de fazê-lo. Ainda hoje lá permanece a pedra onde a barca que transportou o apóstolo Tiago foi amarrada.

Saiba mais sobre o Albergue de Pádron.
Para ver o mapa da etapa e os dados GPS, clique aqui


Boa Viagem

Bicigrinos


O terreno espelhava a chuva
 que não nos largou por dois dias

Monte Albor

Houve tempo para tudo!


Ponte sobre o Rio Ulla

Igreja de S. Tiago ao fundo

05 maio 2013

Etapa Pontevedra - Caldas de Reis

| 23 Km |

As nuvens negras que surgiram no dia anterior já deixavam antever a mudança no clima. E, sem surpresas, o dia amanheceu chuvoso em Pontevedra. Para exasperação daqueles que, no dia de ontem, não tinham tido pernas para visitar a Igreja da Virxen Peregrina, atravessamos o centro histórico de Pontevedra a correr de arcada em arcada. E de passo apressado o deixamos para trás.

Igreja da Virxen Peregrina

Esta poderia ter sido uma etapa fácil pela morfologia do terreno e pela serenidade do caminho, mas não o foi devido à chuva constante. Apesar de termos tido sorte no momento em que optamos por almoçar, pois logo a seguir desabou o céu numa chuvada descomunal, a tarde foi uma luta constante.
Passamos por carreiros que eram pura lama, só atravessáveis porque nos íamos pendurando nos arames das vinhas. Eventualmente voltamos a encontrar a nossa velha amiga N550.
E assim foi, um dia que teve momentos mais difíceis, mas lá acabamos por chegar a Caldas de Reis, que com a sua água termal nos aqueceu os pés e a alma. 

Saiba mais sobre o Albergue de Caldas de Reis.
Para ver o mapa da etapa e os dados GPS, clique aqui


O dia começou chuvoso!

Igreja de Alba

Caminho com momentos muito serenos

Muito cuidado com a passagem de nível sem guarda,
apanhamos um susto valente!

Ainda bem que optamos por almoçar aqui!
Nesta fonte termal é possível mergulhar os pés.
Eles vão agradecer!

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