05 maio 2013

Etapa Pontevedra - Caldas de Reis

| 23 Km |

As nuvens negras que surgiram no dia anterior já deixavam antever a mudança no clima. E, sem surpresas, o dia amanheceu chuvoso em Pontevedra. Para exasperação daqueles que, no dia de ontem, não tinham tido pernas para visitar a Igreja da Virxen Peregrina, atravessamos o centro histórico de Pontevedra a correr de arcada em arcada. E de passo apressado o deixamos para trás.

Igreja da Virxen Peregrina

Esta poderia ter sido uma etapa fácil pela morfologia do terreno e pela serenidade do caminho, mas não o foi devido à chuva constante. Apesar de termos tido sorte no momento em que optamos por almoçar, pois logo a seguir desabou o céu numa chuvada descomunal, a tarde foi uma luta constante.
Passamos por carreiros que eram pura lama, só atravessáveis porque nos íamos pendurando nos arames das vinhas. Eventualmente voltamos a encontrar a nossa velha amiga N550.
E assim foi, um dia que teve momentos mais difíceis, mas lá acabamos por chegar a Caldas de Reis, que com a sua água termal nos aqueceu os pés e a alma. 

Saiba mais sobre o Albergue de Caldas de Reis.
Para ver o mapa da etapa e os dados GPS, clique aqui


O dia começou chuvoso!

Igreja de Alba

Caminho com momentos muito serenos

Muito cuidado com a passagem de nível sem guarda,
apanhamos um susto valente!

Ainda bem que optamos por almoçar aqui!
Nesta fonte termal é possível mergulhar os pés.
Eles vão agradecer!

03 maio 2013

Etapa Redondela - Pontevedra

| 18 km |

Acordamos todos animados, ainda que de "ressaca" pela noite anterior. A noite em Redondela foi muito divertida: cozinhamos com outros peregrinos, pediram para tirar fotos connosco (um casal simpatiquíssimo que queria mostrar à filha) e rimo-nos à socapa a noite toda, à custa das ressonadelas do Sr. Padre que lá pernoitou com um grupo de seminaristas. Claro que se descansou menos do que se devia mas foi memorável a noite.
Saímos do albergue pela porta do Peregrino e logo seguimos o caminho. 


A etapa de hoje é de dificuldade mais elevada, pelo menos para caminhantes inexperientes como nós, sendo a etapa com a morfologia mais acidentada que iremos fazer. Não obstante é uma etapa com uma paisagem lindíssima e uma vista incrível sobre a Ria de Vigo. Quando chegamos à ponte Sampaio, sobre o Rio Verdugo, já percorremos a primeira parte do percurso e podemos descansar um bocadinho antes de iniciarmos a segunda. Por entre espigueiros começamos novamente a subir e desta vez a elevação é ainda mais acentuada. O terreno também se vai transformando, à medida que nos embrenhamos na natureza. Quando chegamos junto a uma ponte medieval com uma intervenção em aço corten é um bom momento para descansar, pois o terreno vai exigir esforço. 
Ao longo deste caminho já fomos percebendo quais os peregrinos que andavam ao mesmo ritmo que nós e os quais lá íamos ultrapassando até eles nos ultrapassarem a nós e assim sucessivamente. Entretanto, quando se chega à Capela de Santa Marta, já falta pouco para terminarmos a etapa.
Esta foi uma etapa difícil, pelo menos para os elementos femininos do grupo. Houve até lágrimas à chegada, pela frustração que as bolhas causam. Eram dois os elemento do grupo que as tinham (e muitas) e que estoicamente resistiram e nos acompanharam até ao fim. Nunca é demais lembrar para cuidar muito bem dos pés, com hidratação, massagens, secar bem após o banho e mudar de meias pelo caminho, se necessário.

Saiba mais sobre o Albergue de Pontevedra.
Para ver o mapa da etapa e os dados GPS, clique aqui

Ria de Vigo

Ponte Sampaio

Um bom momento para descansar

O terreno torna-se cada vez mais exigente

Capela de Santa Marta

Etapa Porriño - Redondela

| 18 km |

A etapa começou cedo. No dia anterior estávamos todos apagados pouco passava das 21:00h, pelo que acordamos cedo, prontos para o que planeávamos ser uma super etapa. Para compensar o dia de ontem, hoje faríamos Porriño - Pontevedra. Ao nosso grupo juntou-se um novo elemento, um escoteiro que partilhara a camarata connosco. O dia amanhecera húmido, com um véu de nevoeiro a encobrir-nos o caminho. 



Saímos de Porriño tal como ontem entrara-mos: pela estrada N550. À medida que nos embrenhávamos no verde, também o sol timidamente se mostrava, mas o caminho mantinha-se orvalhado. E, entretanto, começamos a subir a primeira das três elevações que tínhamos até Pontevedra. Mas quem imagina que o difícil é subir, não sabe o que foi descer aquela zona que se seguiu. Todo o corpo tem de se contrair para travar os passos e o peso da mochila fez-se sentir como nunca, naquela que é uma descida extremamente acentuada. Apesar disso, rapidamente se chegou a Redondela, mesmo a tempo de se almoçar. Já na perspectiva de não conseguirmos, à tarde, repetir duas vezes a proeza da manhã, começamos a ponderar a hipótese de seguir para um albergue entre Redondela e Pontevedra (Arcade - privado) e daí repensar todas as etapas que se seguiam. Era impossível para mim fazer mais 18 km, da parte da tarde.
Logo avistamos o albergue de Redondela e acabamos por pedir informações junto da pessoa que nos recebeu. Não poderia ter sido mais solícita. Em conversações entre o grupo lá concluímos que o albergue tinha condições muito boas e que também queríamos apreciar o caminho, pelo que acabamos por decidir ficar em Redondela e manter, nas etapas seguintes, o que havíamos planeado.
Voltamos à entrada de Redondela para comer uns hamburgers óptimos e a melhor tortilla que comi em todo o caminho.

Saiba mais sobre o Albergue de Redondela.
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O "novo" grupo!

O sol começava a surgir

Uma senhora descida!

02 maio 2013

Etapa Tui - Porriño

| 18 km |

Como já expliquei algures no blog, cometemos, logo de início, um erro fruto da inexperiência: apanhamos comboio no Porto de manhã e chegamos a Tui por volta do meio-dia. Isso só nos permitiu andar da parte da tarde. Mas já lá vamos.

Quando saímos do comboio, não fazíamos ideia para onde nos dirigir. A viagem tinha começado a ser planeada quatro dias antes, o que não deu grande margem para nos informarmos devidamente.
Portanto, mal avistamos duas mulheres de passo apressado, mochila e cajado, a sair do comboio, não hesitamos em segui-las! Eventualmente perdemos-lhe o rasto mas felizmente não demoraria muito a darmos com a Catedral de Tui. E aí carimbamos o nosso destino para os próximos dias. A partida estava dada!


O Caminho inicia-se na zona histórica de Tui. A merecer referência temos o túnel do Convento das Clarissas e as igrejas de Santo Domingo de Tui e San Bartolomé de Rebordáns. Entretanto, já a deixar Tui para trás, passamos ao lado da ponte da Veiga. Seguimos caminho em direcção ao vale do rio Louro, uma bolha de oxigénio preciosa para enfrentar o que se segue: o polígono industrial das Gándaras (recta do parque industrial) e a entrada em Porriño pela estrada nacional N550. De forma a não perdemos o ânimo, porque é mesmo fácil perdê-lo nesta recta que se prolonga por quilómetros, decidimos comer qualquer coisa num restaurante junto à estrada. A refeição foi pesada, o que não repetiríamos nos próximos dias. Chegamos a Porriño, por volta das 18:00 e optamos por ficar. O dia tinha começado muito cedo e a hora já era adiantada. No dia seguinte planeávamos seguir até Pontevedra, para compensar o dia de hoje. Acabaríamos por ficar em Redondela. Já diziam: "o grupo é tão forte quanto o seu elemento mais fraco". E assim foi!

Saiba mais sobre o Albergue de Porriño.
Para ver o mapa da etapa e os dados GPS, clique aqui.

*Actualização* - Acabei por não apresentar a solução para o erro que cometemos. Depois de falar com algumas pessoas, julgo que o ideal era ter ido de comboio até Tui (ou Valença, que assim começava no lado português) no dia anterior, dormir no albergue (que julgo não ser problemático já que conheci quem o fez) e partir de manhã, bem cedinho, para uma boa etapa inicial até Redondela.


A Ponte de Veiga

A infame recta do parque industrial

Uma pausa absolutamente necessária

Chegada a Porriño

01 maio 2013

Albergues | Ponte de Lima e Valença

Após pernoitarmos no nosso primeiro albergue, em Porriño, o nosso grupo aumentou. Partilhamos a camarata com um compatriota que iniciara, sozinho, o caminho em Ponte de Lima. E como bons portugueses que somos, começamos o dia seguinte com mais um elemento, que haveria de nos acompanhar até casa.
Aqui fica o seu relato sobre os dois albergues que ele conhecera, antes de cruzarmos os nossos caminhos:

Albergue de Ponte de Lima (5 euros)
"O albergue de Ponte de Lima para mim foi o que achei que tinha mais condições de todos os que se seguem e pelos quais passei.
É um edifício relativamente novo, bastante grande e ainda com um grande jardim no meio do albergue que não é só bonito pela sua vegetação como útil para quem faça o caminho de bicicleta ou a cavalo.
Por dentro é bastante moderno, tem uma cozinha equipada, sala de estar com computador ligado à internet, casas de banho com duche e dois quartos em que a disposição das camas é toda à volta do quarto com aquecedores, armários individuais por detrás de cada cama e umas quatro fichas elétricas.
O albergue fica mesmo no extremo sul da cidade depois de se passar a ponte romana de Ponte de Lima e fica mesmo no início do caminho de santiago, seguindo apenas uma estradita e entrando logo em estrada de campo."

André Bento
Escoteiro de AEP 122 Mira-Sintra 

Albergue a 100 metros!

Albergue de Valença (3 euros)
"O albergue de Valença fica mesmo no norte da cidade a uns 500 metros da ponte metálica que separa Portugal de Espanha.
É uma casa com dois andares, em que nem sempre se tem la alguém para nos atender, tendo que se telefonar para os números que se encontram na porta.
É um albergue que tem pelo menos duas camaratas, penso que haviam mais mas que se encontravam fechadas por apenas sermos uma meia dúzia de pessoas no albergue nesse dia. Tem casas de banhos nos dois andares com chuveiros e água quente, lavandaria, cozinha totalmente equipada, sala de estar, sala de jantar, enfermaria e bastante acolhedora nos quartos.
As camas são beliches e são nos dados lençóis e fronhas descartáveis."

André Bento
Escoteiro de AEP 122 Mira-Sintra 

Ponte Valença - Tui

*Desconheço se a actualização de preços que tem efeito a partir de hoje (para 6 euros) nos albergues espanhóis, também terá efeito nos portugueses.

O Caminho em Imagens

O caminho até Santiago de Compostela só é, tal como muitas outras coisas, plenamente compreendido por aqueles que o fizeram. Por aqueles que partilharam os bons e os maus momentos desta jornada, que partilharam os silêncios, o riso, as esperas, o cansaço, as conversas...
Mas como uma imagem vale mais que mil palavras, talvez estas consigam revelar-vos algo.
Aos meus companheiros de Caminho: o meu obrigada!












30 abril 2013

Música - Hot Chip | In our Heads

É impossível falar sobre transcendência, sorrisos...  sobre alimentar a alma, sem falar de música!
Simplesmente impossível viver sem ela. Porque mesmo quando não é ouvida, ela impregna-se na nossa pele, percorre-nos os músculos e imiscui-se no pulsar do nosso coração.

Passei o último ano obcecada por este álbum.
Em particular a faixa Flutes; roça a perfeição!



27 abril 2013

Francesinhas Porto - Restaurante Bufete Fase

Esta é a francesinha detentora do título de "melhor francesinha do Porto".
É bastante boa! Mas tem demasiados senãos para me fazer esperar por mesa regularmente.
Vejamos... O espaço possui 5 mesas, pelo que mal acabamos de comer nos sentimos na obrigação de nos levantarmos e ceder o lugar aos que fazem fila à porta do restaurante. Bem, isso era uma vicissitude totalmente ultrapassável se a francesinha fosse espectacular. Mas é tão somente boa. O pão estava demasiado torrado (para além de escuro, difícil de cortar sem o esmigalhar), leva lombo o que não me agrada pessoalmente, o queijo não era excelente e o molho também não era o melhor que já provei. Foi-nos dado a escolher a versão normal e a picante do molho. Talvez devêssemos ter escolhido a picante. O bife era bom, assim como a linguiça, embora demasiado passado.
Quanto às batatas, eram pré-fritas, não terá sido certamente isso que lhe deu a fama!
Conclusão: boa, mas o Restaurante Cunha fica já ali ao lado!

Francesinha - Restaurante Bufete Fase


Francesinha - Restaurante Bufete Fase
Restaurante Bufete Fase | Rua de Santa Catarina, 1147 Porto

Francesinhas Porto - Restaurante Cunha

E  porque nem só de experiências espirituais se eleva a Mulher, venho partilhar uma das melhores experiências mundanas que podemos ter: comer uma Francesinha!!
Ok, sou suspeita! Sou do Porto e a comida é algo muito importante na minha vida. Mas acho mesmo que ninguém deveria passar por esta vida sem experimentar esta iguaria. É tão boa que é impossível comê-la sem a sensação de estar a fazer algo proibido.
Lembrei-me de criar este post porque hoje finalmente fui comer ao local que é conhecido por ter "a melhor francesinha" do Porto. E eu não achei que fosse. Existem sítios muito bons que têm francesinhas tão boas ou melhores mas simplesmente não têm a fama. E partilhar as melhores francesinhas do Porto aqui parece-me uma excelente desculpa para experimentar mais umas.
Acho que devo começar, portanto, por aquela que eu considero a melhor francesinha do Porto: RESTAURANTE CUNHA.


Francesinha - Restaurante Cunha

Costuma-se dizer que o segredo está no molho, mas eu não concordo nada! Uma boa francesinha tem de ser uma combinação de bons ingredientes: um bom bife, linguiça de qualidade, o queijo, o pão, salsicha, fiambre... tudo! Não dá para facilitar em nenhum elemento. E claro o molho!
A francesinha do Restaurante Cunha tem tudo isso. O bife é delicioso, o queijo de consistência perfeita e o molho é capaz de me fazer voltar todos os fins-de-semana! O preço também! E depois, bem sei que o Anthony Bourdain diz que nos devemos cingir ao essencial, que não é o caso das batatas, mas quem consegue resistir àquelas batatas cortadas à mão, perfeitas para mergulhar no molho?!   
Eu não!!! 

A famosa Sangria - Restaurante Cunha
Fotografia por Luis Alla

Francesinha - Restaurante Cunha
 Fotografia por Luis Alla

Para finalizar não posso deixar de referir, para quem não conhece, a decoração do espaço. Este continua a ser um dos espaços mais interessantes do Porto. E onde se pode apreciar, para além da boa comida, um bom ambiente!

* Raramente vou lá à semana, mas sempre que fui achei que os pratos não tinham a mesma qualidade do fim-de-semana. Estratégia, diferentes Chefs ou apenas impressão minha...?! Fica a nota.

** Actualização 15/10 - Com muita pena minha, este restaurante precipitou-se num caminho de decadência do qual não sei se haverá retorno. Já não como francesinha lá há uns tempos. Primeiro porque a do Francesinha Café é indubitavelmente a melhor, depois porque julgo ter tido medo da desilusão que irei sentir. Mas se a qualidade tiver descido tal como noutros pratos, o que provarem agora será uma sombra do que já foi. Um espaço destes não merecia isto. Depois do último fim-de-semana não me imagino a voltar lá. 

Restaurante & Confeitaria Cunha | Rua Sá da Bandeira, 676 - Porto 

Credencial do Peregrino a Santiago de Compostela

A Credencial é o documento que identifica o peregrino. Através desta é possível comprovar o caminho percorrido e dessa forma pernoitar nos albergues. O aconselhado é obter pelo menos dois carimbos por dia; existem carimbos na maioria dos restaurantes/cafés, locais de descanso, capelas e nos albergues. A credencial também é necessária para obter no final da jornada a Compostela. Esta é um género de diploma, em latim, que atesta a peregrinação. Para isso basta ter percorrido, pelo menos, os últimos 100 km a pé ou 200 km a cavalo ou de bicicleta. Para a receber basta dirigir-se à Oficina do Peregrino e comprovar através da credencial a sua peregrinação.

Para obter a sua credencial deve dirigir-se a um destes locais:
- Sé do Porto (custou-nos €0,70 – salvo erro)
- Centro de Estudos Jacobeus – Porto
- Albergue de Peregrinos de S. Pedro de Rates
- Albergue de Peregrino de Ponte de Lima
- Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Viana do Castelo
- Albergue de Peregrinos de Valença 


Credencial Peregrino | Tuy - Santiago Compostela (Obtida na Sé do Porto)

26 abril 2013

Mochila | Caminho português a Santiago de Compostela

Na hora de se fazer a mochila é preciso considerar que tudo o que ultrapassar o limite de 10% do peso da pessoa é excessivo. E que esse excesso se vai fazer sentir ao fim de alguns quilómetros. Depois, considerando isto, cada pessoa terá as suas prioridades e definirá o que para si é essencial.
Dito isto vou apresentar uma listagem de algumas das coisas que se revelaram muito úteis na nossa jornada. Na altura também me foi, sabiamente, aconselhado a dividir os artigos de higiene e de saúde pelos diferentes elementos do grupo.

- Agulhas + linha (para furar bolhas)
- Isqueiro
- Lanterna individual cabeça (não levamos mas é útil para usar nos albergues)
- Capa impermeável para pessoa e mochila
- Rolo papel higiénico
- Nívea
- Saco-cama
- Pequena manta (dependendo da altura do ano e da pessoa)
- Voltaren / Benuron (e todos os medicamentos que a pessoa achar necessário)
- Artigos de higiene pessoal
- Toalha de banho
- Canivete
- Protector solar (dependendo da altura do ano)
- Chinelos (tipo havaiana)
- Pijama
- Corta-unhas
- Luvas (de corrida, tecido leve, dependendo do tempo)
- Barritas Energéticas
- Sabão para a roupa (pequeno)
- Alfinetes-bebé para pendurar a roupa (ou molas, mas são mais volumosas) 
- Compeed / água oxigenada  (tem sempre a possibilidade de comprar pelo caminho, mas se ganhar bolhas vai querer tratar delas após o banho no albergue e caminhar até uma farmácia pode ser penoso)
- Credencial

Algumas considerações pessoais:
- Eu optei por levar sapatilhas, porque não tinha botas e não queria levar nada que não estivesse adaptado ao pé. No entanto, ao 3º dia fui obrigada a comprar umas palmilhas de gel de maneira a poder continuar. As sapatilhas não tinham uma sola eficaz para aquele tipo de terreno e a planta dos meus pés estava massacrada. Fizeram uma diferença enorme!! (Mas só foi possível porque as sapatilhas não me eram justas)

- Por levar sapatilhas também acabei com os pés molhados algumas vezes, já que apanhamos bastante chuva!!! Para não criar bolhas, mudava de meias sempre que necessário. Aconselho por isso a levar meias em número superior aos dias que pretende caminhar. Existirão dias que poderá não conseguir lavar ou secar as meias no albergue e eu cheguei a trocar 3 vezes de meias no mesmo dia.

- Relativamente à roupa também fiz uma escolha que se revelou eficaz. Fomos numa altura do ano muito inconstante relativamente ás condições meteorológicas: tanto fazia calor como a seguir chovia consideravelmente. Por isso mesmo levei calças de caminhada leves e manejáveis pelo exterior e usava umas leggings justas pelo interior que para além de me aquecerem me protegiam das calças exteriores que acabavam sempre molhadas!

- Se tiver dúvidas quanto a calças ou calções, até porque a temperatura pode variar consideravelmente durante o dia, com atenção para as manhãs bem fresquinhas, uma boa opção são as calças com fecho na zona do joelho que se transformam em calção e que rapidamente se adaptam às suas necessidades.

- Quanto à roupa usei sempre o mesmo casaco e as mesmas calças exteriores para caminhar. Levei duas camisolas extra, bem como leggings que ia lavando e secando alternadamente. Levei ainda uns jeans que usava quando saíamos para conhecer as cidades e em Santiago! Como choveu durante a nossa caminhada algumas vezes a roupa não secava, mas deixar pendurado no beliche durante a noite funcionou noutras alturas! Não poupar nas meias e roupa interior!

- Para os pés para além de um bom calçado é também necessário uma boa hidratação e meias apropriadas.No meu caso utilizei sempre nívea. Hidratava os pés antes de sair do albergue, atenção para não deixar excedente de creme, e voltava a massaja-los quando chegava de tarde. Os ombros também! Quanto às meias, o ideal seria umas sem costuras. Mas se não tiver e não quiser comprar procure nas suas umas que garantam as seguintes condições: devem estar justas ao pé, diferente de apertadas, de modo a não criar rugas no tecido; embora haja quem recomendo meias grossas, eu prefiro com espessura mediana, para não provocar transpiração excessiva; e muito importante estas devem ser de algodão.  

Para mais dicas sobre a mochila, clique aqui.






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