10 maio 2013

Caminho português começa em Lisboa

Como sabemos, todos os Caminhos vão dar a... Bem, neste caso, a Santiago de Compostela.  
Mas nem todos tinham o seu início definido. Era o caso do caminho português; até agora.
Segundo o Diário de Pontevedra, de 8 de Maio, a partir do Verão esta situação vai alterar-se. À semelhança do Caminho francês, que tinha na Real Colegiata de Santa María de Roncesvalles o seu início oficial e onde era dada a bênção aos peregrinos, o Caminho português vai ter, a partir de agora, o seu início oficial na Igreja de Santiago em Lisboa, onde também serão abençoados os que assim pretenderem. A igreja vai ter ainda um balcão de apoio aos peregrinos.
Portanto, o caminho conta agora com 600 km, distância entre a Igreja em questão e a catedral de Santiago de Compostela. Um caminho que está a ganhar mais adeptos, inclusive de outras nacionalidades. 
Este ano, aquando da minha estada no albergue de Pontevedra, tive oportunidade de trocar impressões com Tino Lores, presidente da associação Amigos do camiño português que, já na altura, mencionou o aumento de peregrinos no caminho português. 
Em declarações ao Diário de Pontevedra, Tino Lores coloca a hipótese de ter sido demasiado cauteloso no seu prognóstico de que 30.000 peregrinos passarão este ano pela cidade de Pontevedra. 

Estes números levantam outras questões: 
Estaremos perante um género de turismo religioso? Não terão sido, as peregrinações, a primeira forma de turismo que existiu? Dada a conjectura económica actual do país, não deveríamos olhar para o caminho português a Santiago de Compostela como uma forma de dinamizar certos aglomerados?

É um assunto a discutir num outro post.

09 maio 2013

Evento 4000 Ateliers




Não percam a próxima edição do evento 4000 Ateliers | 2013.
Este evento, com base no conceito "Open House", pretende abrir ao público em geral os ateliers de arquitectura com o código-postal 4000! 
Por isso, prepare-se para um passeio pela baixa do Porto e a possibilidade de visitar alguns dos mais notáveis edifícios da cidade.


 
Um dos gabinetes abertos ao público 
ADOFF.ZURCATNAS
Praça Guilherme Gomes Fernandes
Nº 58 | 2º Frente | 4050-294 Porto



Mapas por Etapas | GPS

Muito embora a monitorização das etapas não faça justiça aos elementos do grupo com uma excelente preparação física, decidi colocá-las aqui. Sim, fomos nós, as meninas, que vos atrasamos! ;)
Acho os mapas interessantes por definirem com mais rigor o ritmo do grupo, por se perceber que na etapa Caldas de Reis - Pádron andamos mesmo muito distraídos e por apresentar o tempo que efectivamente caminhamos, sem contabilizar as pausas (as maiores pelo menos).

Apesar disso, não me baseei nestes mapas para definir as distâncias no post Percurso Tui - Santiago de Compostela
Os valores diferem ligeiramente dos normalmente apresentados e prefiro salvaguardar a hipótese de termos demorado a contabilizar o percurso após alguma pausa, o que justificaria a diferença.
Ainda assim os valores estão muito próximos da realidade o que nos permite retirar algumas conclusões.


1ª Etapa | Tui - Porriño | 18 km
(distância real aproximada)


Distância no mapa: 15,44 Km
Duração: 04:09:25
Ritmo: 16:09 min/km















2ª Etapa | Porriño - Redondela | 18 km
(distância real aproximada)

Distância no mapa: 15,00 Km
Duração: 04:06:02
Ritmo: 16:24 min/km
















3ª Etapa | Redondela - Pontevedra | 18 km
(distância real aproximada)

Distância no mapa: 16,85 Km
Duração: 04:38:39
Ritmo: 16:32 min/km
















4ª Etapa | Pontevedra - Caldas de Reis | 23 km 
 (distância real aproximada)

Distância no mapa: 23,06 Km
Duração: 06:11:59
Ritmo: 16:07 min/km
















5ª Etapa | Caldas de Reis - Pádron | 16 km
(distância real aproximada)

Distância no mapa: 16,86 Km
Duração: 06:14:42
Ritmo: 22:13 min/km
















6ª Etapa | Pádron - Santiago de Compostela | 24 km
(distância real aproximada)

Distância no mapa: 24,51 Km
Duração: 06:55:15
Ritmo: 16:56 min/km














08 maio 2013

Em Santiago de Compostela

A cidade de Santiago de Compostela não é nada menos que mística, envolvente e apaixonante.
A chuva que cai, por vezes incessantemente, só lhe confere ainda mais encanto e não afasta, nem peregrinos, nem turistas que se encantam com as suas ruas medievais e a sua imponente Catedral. Para mim foi o coroar perfeito de uma jornada incrível.


A Catedral de Santiago, de planta românica, em cruz latina, foi construída entre os anos de 1075 e 1128, com o propósito de albergar os restos do apóstolo Santiago Maior. Este havia sido tornado mártir no ano 44 d.C., em Jerusalém, após um período de evangelização na península ibérica.
Segundo a lenda, o seu corpo teria sido transportado de volta para a Galiza e sepultado no lugar de Compostela. Em 814 um eremita descobriu um túmulo que imediatamente foi associado a Santiago e sobre o qual seria erguida a Catedral. 


Mas Santiago também se soube modernizar e possui obras contemporâneas de grande relevância arquitectónica, nomeadamente o Centro Galego de Arte Contemporânea, do arquitecto Siza Vieira, e a Cidade da Cultura da Galiza, do arquitecto Peter Eisenman.

Centro Galego de Arte Contemporânea

Centro Galego de Arte Contemporânea

Quando chegamos no dia anterior, depois das fotos e da visita à Catedral, dirigimo-nos à Oficina do Peregrino para levantarmos a nossa Compostela. Devo confessar que não teve muito significado para mim; a pessoa que me atendeu preencheu aquilo em 2 segundos e mal. A Credencial sim, é uma lembrança constante de cada lugar que conheci. A Compostela muito provavelmente vai ficar guardada, atirada de gaveta em gaveta, até ao dia em que se vai perder na confusão de um sotão.
Como não tínhamos muita informação, quer sobre albergues, quer sobre os comboios/autocarros, dirigimo-nos desta vez até à Oficina Central de Información Turística Municipal onde nos prestaram toda a informação solicitada.
Em Santiago de Compostela acabamos por não ficar em nenhum albergue oficial porque já não tínhamos pernas para andar muito e porque queríamos ficar perto do Centro. Recomendaram-nos os hostels O Fogar de Teodomiro e Roots&Boots, que passei a conhecer e recomendo. São da mesma tipologia dos albergues, com acomodação em camarata mas oferecem melhores condições nos mesmo serviços: possuíam Internet,  lençóis de algodão e toalha de banho, serviço de lavandaria, cozinha, entre outras coisas, para além de uma excelente localização junto à Catedral. O preço era de 12€ por pessoa a esta data.
O único inconveniente: não são frequentados apenas por peregrinos, ou seja, arrisca ficar no quarto com alguém que não partilha do seu nível de cansaço,o seu credo ou não respeita os seus ideias. Fica a ressalva.

Oficina do Peregrino  - Junto à Praza das Praterías, por trás da Catedral, logo no início da Rua do Vilar.

Oficina Central de Información Turística Municipal - Continue pela Rua do Vilar, em direcção à Praza do Toural, praticamente no final da rua.

O Fogar de Teodomiro - (+34 699 631 592) www.fogarteodomiro.com
Roots&Boots - (+34 699 631 594) www.rootsandboots.com
   
Começamos o dia num dos muitos agradáveis cafés que existem na cidade, para um merecido pequeno-almoço. De seguida fomos visitar o Centro Galego de Arte Contemporânea que para nossa exasperação estava fechado à segunda-feira. Seguimos então, mais cedo que o previsto, para a missa do Peregrino, para cumprir todos os rituais, sendo o mais conhecido de todos o abraço a Santiago. Confesso que fui lá duas vezes porque o primeiro tinha sido tímido. Achei que depois de quase 120 km tinha direito a um abraço apropriado.
A chuva caía ininterruptamente pelo que, depois do almoço, não deu para visitar mais nenhum local. Acabamos por nos limitar a comprar as lembranças antes de sairmos em direcção à estação, para apanhar comboio até Vigo. Aí sim, em Vigo, apanhamos o comboio que nos traria a casa.




07 maio 2013

Os diferentes Caminhos até Santiago de Compostela

Depois de ter feito o Caminho Português a partir de Tui, só consigo pensar no próximo que vou fazer. Pode ser daqui a um ano ou daqui a muitos. Pode ser novamente o Caminho Português ou outro qualquer.
Mas tenho quase a certeza que é um sentimento generalizado: quando acaba deixa umas saudades imensas e muita vontade de repetir.

Para todos aqueles que gostariam de o fazer e chegar novamente a Compostela, deixo aqui um mapa com os diferentes Caminhos.

Mapa retirado do folheto "Caminho Português" pela Xunta de Galícia


Mapa retirado do folheto "Caminho Inglês" pela Xunta de Galícia

06 maio 2013

Etapa Pádron - Santiago de Compostela

| 24 Km |

Este dia não poderia ter começado de forma mais animada.
Descemos a rua com pendente que dá acesso ao albergue de Pádron e entramos no D'Camino, para alguns de nós tomarem um café. Depois de tirarmos a fotografia da praxe, lá seguimos caminho para o que seria a última etapa desta jornada fantástica. 
Mas logo após contornarmos a Igreja de S. Tiago, somos chamados por um senhor de nome Pepe, que nos pergunta, entusiasticamente diga-se de passagem, se somos portugueses. Mal deu tempo para confirmarmos, pois sem darmos por isso o Pepe já nos apresentava o seu café e todas as recordações que tinha do nosso país e de quem por lá passava. O Pepe gostava tanto de portugueses, que achei que nos ía arrancar um beijo a todos! 
Aqui fica a foto, do grupo no bar, mas onde infelizmente não aparece o Pepe! 


Após este animado começo de dia, lá continuamos o percurso que nos levaria a Santiago de Compostela. 
Imagino que o dia de hoje seja, para a maioria das pessoas, ofuscado pela chegada à Catedral. Porque se é verdade que o importante é o caminho, é quase impossível a emoção deste dia não nos toldar os sentidos e a ânsia de chegarmos tomar conta de nós.
Esta etapa  também não tem a beleza de outras, pois andamos, mais do que até aqui, pela nossa velha conhecida N550. E quando não estamos fisicamente na estrada, não deixamos de a ver.
Neste percurso também voltamos a ter uma passagem de nível sem guarda.
De referir o Santuário de A Escravitude, com a sua escadaria e torres de estranhas proporções.
A partir daí continuamos na estrada nacional mas começamos a subir. Entre terra batida e alcatrão, subidas e descidas vamos aproximar-nos de Santiago, ao ponto de o ver e não acreditar no que ainda nos falta. E a verdade é que aquela última subida até à cidade, nos vai fazer valorizar ainda mais a chegada à Catedral.


O dia começou animado e solarengo

Santuário de A Escravitude

Entre zonas planas, subidas e descidas se chega a Santiago

Santiago parece ainda muito longe

No momento em que começamos a ver a Catedral, ao fundo da rua, é incrível e sentimos mesmo a garganta a apertar. Era Domingo de Ramos e as ruas de Santiago fervilhavam. Chegamos ao final da tarde, por entre diálogos em português. Logo após a nossa chegada, e as fotografias já tiradas, começou a chover. Foi hora de entrarmos na Catedral e agradecer a viagem sem incidentes. Logo a seguir fomos buscar as nossas Compostelas à Oficina do Peregrino. E apesar de não ter sido a devoção que me fez partir para Santiago, a missa do Peregrino no dia seguinte foi um momento que muito estimei, ao lado de alguns dos companheiros de jornada, com quem fomos trocando sorrisos cúmplices.


O fim da Jornada!
O início de muitas outras que havemos de fazer.

Para ver o mapa da etapa e os dados GPS, clique aqui
     

**Actualização:
Porque o valor dos blogues reside na interacção entre quem escreve e quem lê, tive a sorte do Rui Abreu ler o que escrevi sobre esta etapa após o qual me enviou, generosamente, uma foto do Pepe para eu poder publicar, bem como um artigo sobre ele em La Voz de Santiago.
Afinal o nome de Pepe é, na verdade, José Manuel Sil, mas ficará para sempre Pepe até porque assim prefere ser chamado à semelhança do seu estabelecimento Don Pepe II. Aqui fica a foto!

O animadíssimo Pepe com o filhote do Rui Abreu.
Obrigada Rui!

Etapa Caldas de Reis - Pádron

| 18 Km |

Como já referi aqui no blogue, planeamos fazer Caldas de Reis - Padrón e daí para Santiago de Compostela. Muitos peregrinos optam por fazer uma etapa mais longa até Teo, de modo a chegaram mais cedo a Santiago na última etapa. Mas nós pretendíamos fazer o nosso primeiro Caminho com calma e, de qualquer das formas, iríamos ficar mais um dia em Santiago pelo que assistimos à missa do peregrino no dia seguinte.
A chuva que se fez sentir  no dia anterior deixou marcas no caminho. E será por entre lama e charcos que faremos parte do percurso. Mas esta é uma etapa com muita diversidade de paisagem: desde torres sineiras, escolas coloridas, aldeias, percursos florestais e, claro, sem nunca esquecer a N550.
A primeira referência que surge é a Igreja de Santa Maria de Carracedo, onde é possível ver, do cimo da sua torre, a zona envolvente.

Igreja de Santa Maria de Carracedo

Vista da Torre Sineira
Apesar de esta ser uma etapa curta, a verdade é que chegamos muito tarde a Pádron, porque nos fomos distraindo com praticamente tudo o que víamos. Depois de termos estado quase meia-hora a explorar esta igreja, voltamos a parar para tirar uma foto numa escola, tantas vezes fotografada, e que deseja aos peregrinos, nas mais diversas línguas, uma "boa viagem".
Logo a seguir cruzamo-nos com uns bicigrinos, que seguiam a sua peregrinação. Vou partilhar essa foto porque acho que é muito ilustrativa do sentido de entreajuda que domina esta jornada, espero que eles não se importem.
Como foi prática neste dia, almoçamos relaxadamente num café-bar, de nome  Pardal, onde se comeu uns excelentes bocadillos. 
Entretanto, começamos a entrar numa das mais bonitas zonas de toda a viagem, o Monte Albor. Mais uma vez, demoramos uma eternidade a atravessá-lo, tendo tido tempo até para perder um dos sacos-cama ravina abaixo. Mas não se atrapalhem, montamos logo ali uma operação para resgatar o dito cujo.
E em passo lento e olhar atento lá continuamos, para voltar a descansar um pouco mais à frente. Na realidade começamos a perceber que este ritmo e as múltiplas paragens estavam a cansar-nos mais do que se tivéssemos mantido um passo constante. E por esse motivo a ligação entre Pontecesures e Padrón foi penosa, porque por entre pés massacrados, cansaço acumulado e impaciência já só pensavamos todos no albergue. Caso um dia passe pelo mesmo fique a saber que em Pontecesures existe albergue.
Pádron é uma cidade bonita e vale a pena conhecê-la. Se chegar a horas de visitar a Igreja de Santiago de Pádron, não deixe de fazê-lo. Ainda hoje lá permanece a pedra onde a barca que transportou o apóstolo Tiago foi amarrada.

Saiba mais sobre o Albergue de Pádron.
Para ver o mapa da etapa e os dados GPS, clique aqui


Boa Viagem

Bicigrinos


O terreno espelhava a chuva
 que não nos largou por dois dias

Monte Albor

Houve tempo para tudo!


Ponte sobre o Rio Ulla

Igreja de S. Tiago ao fundo

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